No dia 29 de novembro aconteceu no Instituto de Estudos Avançados o último seminário teórico do grupo JDL do ano de 2017. O professor e coordenador do grupo Vitor Blotta deu início à discussão, afirmando que ela seria direcionada não só pela temática central (novos modelos curriculares para o curso de jornalismo), mas também por outras questões que a tangenciam como o próprio panorama do jornalismo que temos hoje, partindo de todas as discussões feitas ao longo do ano a respeito da imprensa livre.

Em seguida, o professor Ciro Marcondes Filho, como expositor, iniciou sua contribuição com base em dois papers que orientaram sua fala: um a respeito de fake news, e outro sobre a possibilidade de quebra de estigmas e estereótipos a partir da atividade jornalística. De acordo com ele, vivemos uma revolução na produção jornalística decorrente principalmente da era digital e da internet, que mudou os parâmetros não só do jornalismo mas de toda a sociedade.

Em um primeiro momento, Marcondes Filho traçou uma linha histórica e fundadora do jornalismo, dividindo-o em quatro esferas: o campo das ideias e da filosofia, a esfera pública, a massificação e, por fim, os meios de comunicação. Por meio de episódios e momentos históricos, ele avaliou como os meios de comunicação se portam hoje frente à internet e novos aparatos como as redes sociais.

Em relação a pesquisa, ele discorreu a respeito de sua proposta sobre como estudar jornalismo de uma outra maneira que não a partir da maneira como os jornais e veículos de uma forma geral funcionam hoje. De acordo com ele, é preciso estudar não a partir da emissão, mas a partir da recepção destes conteúdos, uma vez que a comunicação só se dá a partir do momento em que a informação reverbera no receptor. Para isso, sua pesquisa hoje na USP é voltada para o estudo da recepção.

A contribuição do professor Dennis de Oliveira partiu de dois marcos históricos recentes que, segundo ele, sintetizam o momento atual do jornalismo. O primeiro deles é o Caso Watergate, ocorrido na década de 70, no qual dois jornalistas do Washington Post desvendaram o esquema de espionagem dos republicanos, culminando na queda do presidente Nixon. De acordo com ele, esse caso representa o jornalismo enquanto monitor independente do poder. O outro caso que ele traz é o do repórter Jason Blair, do The New York Times, que admitiu que várias de suas reportagens premiadas eram falsas. Esse caso, de acordo com Oliveira, desencadeou uma crise de descredibilidade do jornalismo, hoje já confirmada por várias pesquisas.

A discussão sobre a importância do rigor e do método jornalístico também foi fundamental nesse sentido, já que em diversos momentos ao longo da história do profissão creditou-se ao talento o bom jornalismo. Outras contribuições do professor giraram em torno de como se estrutura os veículos jornalísticos hoje, que trabalham numa lógica completamente mercadológica e globalizada.

Por fim, diversas discussões acerca de novas percepções de estudo do jornalismo — até mesmo partindo de novos teóricos de outras áreas, como Paulo Freire — foram levantadas por ele, partindo da perspectiva sobre como a quebra de estereótipos, o contato e o choque com outras realidades podem ser trabalhadas para um novo ensino do jornalismo, como em partes acontece hoje no curso de jornalismo da ECA-USP com o jornal laboratório Notícias do Jardim São Remo, implementado pelo professor Dennis.

 

O vídeo completo da palestra pode ser acessado aqui.

Foto: Matheus Araújo/IEA-USP

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