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No dia 24 de maio foi realizado no auditório do IEA o segundo seminário teórico do grupo JDL deste ano. A temática central foram os conceitos de imprensa para o curso de Jornalismo, e o evento contou com a presença de Eugênio Bucci como expositor e Vitor Blotta como debatedor.

Eugênio Bucci iniciou o debate recapitulando alguns pontos já discutidos em outros seminários, como o surgimento do conceito de imprensa como conhecemos hoje. Enfatizou que a discussão acerca de imprensa parte do século XVII e se fortalece no século XVIII, já que os os primeiros relatos considerados jornalísticos denotam daí. Apesar de já existirem registros nos padrões jornalísticos antes disso – até mesmo na Grécia , a partir de figuras como Heródoto ao entrevistar pessoas para escrever posteriormente suas obras – para o professor a imprensa só surge a partir do contexto da democracia moderna, resultado de uma aspiração iluminista de fornecer informação à sociedade. Não se trata, portanto, de verificar apenas requisitos estilísticos ou narrativos, e sim das motivações por trás deles. Por democracia moderna, Bucci enfatiza que está se referindo à superação do absolutismo. Um outro conceito explorado em sua fala é de que o jornalismo é a linguagem pela qual a imprensa se expressa.

O professor Blotta deu seguimento à discussão levantando um importante tema que é o financiamento do jornalismo. Sem recursos econômicos, como garantir a sobrevivência do jornalismo de qualidade? Diante disso, foram levantadas algumas soluções que já se mostraram efetivas em alguns casos e falhas em outros, como o financiamento público. Um caso de sucesso é a BBC, que mantém sua independência jornalística por meio de uma série de camadas que protegem o conselho gestor.

A partir daí, iniciou-se o debate principal do seminário. Antes de definir se uma produção é ou não jornalística, devemos definir um conceito de jornalismo, e o primeiro sinal de que o Brasil ainda tem muito a avançar neste sentido, é a confusão que se faz entre jornalismo e outras profissões na área de comunicação, como assessoria de imprensa. O próprio MEC, ao citar em uma de suas diretrizes sobre o curso o termo “jornalista em assessoria de imprensa” já deixa de fazer esta distinção. Essa confusão também aparece no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros da FENAJ. No artigo sétimo, inciso VI, existe uma abertura para interpretação de que o jornalista pode atuar ao mesmo tempo como assessor de imprensa. Um exemplo dado pelo professor Eugênio é que, dessa forma, um jornalista da Folha poderia, sem empecilhos, ser assessor político de algum partido. O próprio Código de Ética é, portanto, assentado sobre um conflito de interesse. Em um outro trecho do código, há também margem para interpretar a assessoria de imprensa como um campo do jornalismo.

João Gabriel

Durante o seminário, outras questões foram postas pelos pesquisadores participantes como a exigência ou não do diploma jornalístico. Bruno Paes Manso pontuou que esta seria uma decisão muito mais no âmbito sindical do que profissional. Eugênio Bucci, mencionando as experiências visitadas em outros países, mencionou as vantagens em se instituir não um curso de graduação, mas de pós-graduação em jornalismo.

A pesquisadora e membro do grupo Nadini, também mencionou os conflitos e estigmas que circundam os papéis do assessor de imprensa e do jornalista. Enfatizou que muitas vezes o assessor é tido como o “outsider” da empresa.

Assumindo-se que outros campos da comunicação crescem cada vez mais, ganham espaços e acabam se tornando imprescindíveis no cenário globalizado, Bucci defende mais uma vez que, para apresentar todo este leque de opções e orientar os estudantes de comunicação é necessário, antes de tudo, explicitar o que seria ou não jornalismo. Não se trata de catalogar o que é bom ou ruim, mas esclarecer que são funções e profissões diferentes.

 

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