O grupo de pesquisa Jornalismo, Direito e Liberdade (ECA/IEA-USP) expressa sua solidariedade à jornalista Patrícia Campos Mello, uma das mais respeitadas e premiadas repórteres do país. Para lidar com a covardia e as mentiras ditas na CPI das Fake News, que ferem as normas das Comissões Parlamentares de Inquérito, a jornalista usou os instrumentos que restam ao profissional competente: informação, provas e fatos.  É lamentável que uma comissão que trata de assunto fundamental para o país seja ela mesma palco de disseminação de ofensas e desinformação.

Manifestamos também nosso repúdio à violência e ao comportamento misógino reverberado por parlamentares em relação a atuação de Patrícia e de outras jornalistas. Tratam-se de discriminações criminosas que, além de exceder a imunidade parlamentar, põem em risco a liberdade de expressão e agridem mulheres jornalistas no exercício da profissão. A pesquisa “Mulheres no jornalismo”, feita pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo em 2017, mostra que 67% das jornalistas entrevistadas tiveram sua competência questionada ou presenciaram colegas nessa situação, quadro que se agravou ao longo dos últimos dois anos.

Contra as ameaças e as fake news, o jornalismo e a verdade factual se impõem como respostas. No caso de Patrícia, mais uma vez, o bom jornalismo mostrou sua relevância diante da ameaça de barbárie e da violência. Mais uma vez, o bom jornalismo mostrou por que é crucial para a Democracia.

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